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Curtailment é o principal obstáculo para projetos de energia renovável, afirma CEO da Atlas

O risco de curtailment é, atualmente, o principal desafio para investimentos em energia renovável na América Latina, segundo Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy.

O problema é especialmente crítico no Brasil, onde os órgãos reguladores têm ordenado com frequência que empresas de energia interrompam temporariamente a geração solar e eólica para evitar a instabilidade da rede elétrica, explicou Barrera à LatinFinance.

“Isso tem causado muitos transtornos, porque uma empresa estrutura seu plano de investimento com base em uma determinada expectativa de geração de energia e, devido à forma como a rede é operada, não é permitido gerar essa quantidade,” afirmou.

“Os níveis de curtailment são quase imprevisíveis. A forma como os operadores estão gerenciando a rede é inconsistente, o que torna muito difícil planejar novos investimentos neste momento. Se o Brasil quiser continuar atraindo data centers, indústrias e investimentos, precisa enfrentar esse desafio,” acrescentou.

O Brasil é o maior mercado da Atlas, sediada em Miami, e abriga 11 projetos solares que foram construídos, comissionados ou estão em fase de construção pela empresa. No ano passado, a Atlas vendeu cinco dessas usinas para a Engie Brasil.

Desafio regional

Barrera, que co-fundou a Atlas em 2017, destacou que o problema não é exclusivo da maior economia da América Latina. Outros países da região também enfrentam dificuldades para integrar a crescente oferta de novas fontes de energia à rede elétrica. No entanto, alguns já adotaram medidas que devem ajudar a mitigar os riscos de curtailment no futuro.

“Estamos dialogando com governos para encontrar soluções desde cedo, e acredito que o Chile abordou essa questão de forma que nos deixa confortáveis,” disse.

No Chile, onde a Atlas opera três usinas solares, foi aprovada uma legislação específica para incentivar a construção de projetos de armazenamento de energia com baterias, que permitem às empresas controlarem melhor o acesso à rede ao armazenar parte da energia gerada.

A Atlas está atualmente construindo o projeto BESS del Desierto, um sistema de armazenamento de baterias standalone.

Desafio para o setor

Apesar disso, a situação no Brasil continua preocupando os operadores.

“Há muito desconforto no setor por conta desse problema no Brasil, e muitas conversas com o governo e reguladores estão em andamento para tentar encontrar uma solução,” afirmou Barrera.

Ele observou que soluções de curto prazo para o curtailment já foram adotadas com sucesso por países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e podem servir de inspiração para o Brasil. A expansão da capacidade de transmissão também ajudaria a aliviar o problema.

“Há linhas de transmissão que deveriam ter entrado em operação, mas foram adiadas. Algumas devem ser ativadas em um ou dois anos e vão ajudar a melhorar a situação,” apontou.

Barrera acrescentou que, no médio prazo, o Brasil deveria seguir o exemplo do Chile e investir em armazenamento de energia para estabilizar o sistema.

“A questão é realmente sobre baterias,” disse. “Existe uma enorme oportunidade de investimento nesse campo. O Brasil precisa passar por algo semelhante ao que o Chile está fazendo. Isso exige ajustes na regulação para que ela seja adequada às renováveis e à nova era em que estamos.”

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