ESG para Países: A Eslovênia é o primeiro país do mundo com certificado "Green Destination"
Quando o assunto é ESG, ou seja, a adoção e cumprimento de compromissos de governança ambiental, social e corporativa (Environment, Social and Governance - ESG), é necessário que seja desenvolvidos vários investimentos e a adoção de diversas práticas de longo prazo, com a finalidade de provar, com evidências documentais, que uma determinada empresa ou entidade realmente exerce aquilo que se predispôs a praticar.
Para um país, é necessário não só criar legislação punitiva para aqueles que infringem as regras de governança, como também investir na educação e prover leis que incentivem as boas práticas de preservação ambiental, integração social e responsabilidade corporativa. Neste caso, é necessário uma política estratégica de longo prazo, para que seja possível colher resultados práticos.
Ou seja, é importante exercer o que é uma mera "Política de Governança" em um verdadeiro "Programa de Governança". Sair do papel e executar as regras do jogo. Caso contrário, o papel só servirá para "calço para mesa".
A Eslovênia, país de grade relevância econômica e ambiental, se tornou o primeiro país certificado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo com seu selo Safe Travels.
Ampliei meu contato com a Eslovênia através da atuante Câmara de Comércio Eslovênia Brasil – SLOBRAZ e pude perceber o grande compromisso dos seus cidadãos e empresários com a ética e a forma certa de se fazer negócios não só no mundo, mas principalmente no Brasil.
O que isso representa? Antes de qualquer coisa, compromisso ético e moral com a comunidade. Prover à sua população um território com responsabilidades ambientais é estabelecer uma conexão cívica de longo prazo não só com os cidadãos eslovenos, mas também se tornar uma referência comportamental para o mundo.
A boa reputação ambiental também incentiva turismo e capital estrangeiro. É importante lembrar que, cada vez mais, fundos de investimento procuram projetos que contemplem certificação ESG, em todos os aspectos. Ou seja, quem não cumprir com as regras de ESG não receberão aporte de capital. Simples assim.
Algumas providências já adotadas pela Eslovênia, e que poderiam muito bem ser alvo de políticas públicas brasileiras:
(i) eliminar o plástico e promover o desperdício zero. Sua capital, Liubliana, recicla 68% de seus resíduos, tornando-se uma das capitais mais verdes do mundo.
(ii) Todas as empresas de turismo no país estão procurando eliminar o plástico de uso único até o final deste ano.
(iii) Liubliana também é uma zona livre de carros. Ao introduzir novas tecnologias, melhorar os espaços públicos e modernizar a rede de ônibus, a cidade recebeu um aumento maior no uso do transporte público e atividades sustentáveis, como caminhadas e ciclismo.
(iv) muitos restaurantes têm seu próprio círculo de fornecedores locais ou até mesmo seus próprios campos, onde obtêm diretamente ingredientes para seus pratos.
(v) criação de certificação para restaurantes "Slovenia Green Cuisine" para destacar restaurantes, cafés e bares que colocam a sustentabilidade na vanguarda de sua culinária;
(vi) Certificados "Bandeira Azul" que garantem água limpa para banhistas, enquanto certificados "Praia Verde" para balneários que contemplem abordagens sustentáveis.
A grande conclusão é que uma ação isolada e temporária não vai atender aos compromissos de sustentabilidade necessários para qualquer tipo de certificação. Entretanto, quando o governo e, principalmente, a iniciativa privada, colocam um objetivo como meta de longo prazo, é necessário propiciar não só incentivos legais, mas aplicar uma cultura de engajamento. E, para isso, a educação da população é essencial, para que seja dada importância a questões que transcendem o tangível, tal como valores e princípios éticos, morais e comportamentais.